A tecnologia raramente é o gargalo.
Nesta edição
- 🧩 Snowflake e Databricks apostaram na mesma coisa este ano
- 🔌 Power BI muda as configurações do modelo semântico em agosto
- 💰 Brasil deve movimentar US$ 4,2 bilhões em IA só em 2026
- 🏢 37 executivos de Itaú, iFood e BTG apontam o verdadeiro gargalo
#DataNews 📰
Notícias sobre o mundo dos dados e IA para ler enquanto toma um café ☕
Snowflake e Databricks chegaram na mesma conclusão este ano 🧩
Os dois maiores nomes do mundo dos dados fizeram suas conferências anuais em junho, em San Francisco, e aconteceu algo curioso: depois de uma década construindo caminhos diferentes — uma nasceu do data warehouse, a outra do lakehouse —, as duas anunciaram basicamente as mesmas apostas.
A Snowflake rebatizou o Snowflake Intelligence como CoWork e o Cortex Code como CoCo. A Databricks expandiu o Agent Bricks, lançou o Genie One e revelou que já passam de 100 mil agentes construídos na plataforma. E as duas lançaram uma "camada de contexto semântico" — a Snowflake com o Cortex Sense, a Databricks com a camada de ontologia do Genie.
O agente de IA deixou de ser um recurso pendurado na ferramenta e virou a principal carga de trabalho dela. E as duas descobriram o mesmo problema pelo caminho: sem contexto semântico, o agente não sabe o que os dados significam no negócio. Ele não sabe qual tabela é a oficial nem o que a empresa chama de "receita líquida".
💡 você sabia?
"Camada semântica" é o dicionário do seu negócio traduzido para a máquina: é onde fica escrito que "cliente ativo" significa quem comprou nos últimos 90 dias. Sem isso, cada pessoa (ou cada agente) calcula do seu jeito e os números nunca batem.
Quando dois concorrentes apostam na mesma direção sem combinar, geralmente é porque o mercado já decidiu. Quem organiza o significado dos dados sai na frente de quem só organiza os dados.
Muda em agosto: as configurações do modelo semântico 🔌
A partir deste mês, quando você abre as configurações de um modelo semântico no serviço do Power BI, elas passam a abrir no novo painel lateral em vez da página cheia de configurações.
Na prática, o painel abre ao lado do seu conteúdo. Você atualiza agendamento de refresh, credenciais e outras opções sem sair do workspace e sem perder o contexto do que estava fazendo. Tudo o que você configurava na página antiga continua disponível ali. E se você preferir o jeito antigo, dá para voltar para a página completa a qualquer momento, direto pelo painel.
🛠️ dica
Se você tem tutorial gravado ou documentação interna com print da tela de configurações, vale revisar agora. Esse tipo de mudança silenciosa de interface é o que mais gera chamado de suporte em time de BI.
A final ao vivo do Power BI DataViz World Championships acontece no FabCon Barcelona, entre 28 de setembro e 1º de outubro. É a competição oficial de DataViz da Microsoft e que reúne diversos usuários pelo mundo!
Brasil deve movimentar US$ 4,2 bilhões em IA em 2026 💰
O número é da IDC e coloca o país como 41,7% de todo o mercado latino-americano de inteligência artificial — deixando México, Chile, Colômbia e Argentina bem para trás. O mercado de TI empresarial da América Latina inteira sai de US$ 94 bilhões em 2025 para US$ 104 bilhões em 2026.
A projeção seguinte é a que mais chama atenção. A IDC estima que os gastos com IA sejam multiplicados por 3,8 vezes entre 2025 e 2029, num crescimento anual composto de quase 40%. Não é uma onda passageira: é uma curva que ainda está subindo.
por que isso importa pra você
Dinheiro entrando no mercado vira projeto, e projeto vira vaga. Quase todo esse investimento depende de alguém que saiba organizar dado, modelar e traduzir número em decisão.
A tecnologia raramente é o gargalo, dizem 37 executivos brasileiros 🏢
Enquanto o mercado discute qual ferramenta adotar primeiro, um grupo de 37 executivos de grandes empresas brasileiras, entre elas Itaú, Amazon, iFood, BTG Pactual, GPA, C&A, Riachuelo, Azul, Disney e RentCars — chegou a uma conclusão desconfortável: a tecnologia quase nunca é o problema.
O gargalo, segundo eles, está na experiência que a tecnologia entrega e na cultura que sustenta essa entrega. Dá para ter o melhor modelo, o melhor dashboard e a melhor stack e ainda assim não mudar nada, porque ninguém confia no número, ninguém usa o relatório ou ninguém tem autonomia para decidir com ele.
💡 você sabia?
Esse mesmo diagnóstico apareceu no AI&Data Leaders 2026, o maior evento de dados e IA do país, que aconteceu em 4 e 5 de agosto em São Paulo. A pergunta que deu o tom do evento foi justamente: por que a maioria das empresas ainda não consegue transformar IA em resultado?
É uma notícia boa disfarçada de má notícia. Se o gargalo fosse tecnológico, dependeria de orçamento. Sendo cultural, depende de como você apresenta o dado, para quem e com que clareza — e isso está muito mais ao seu alcance.
E aí, no seu trabalho: o problema é a ferramenta ou é a confiança no número?