50 bi em tech e IA e o desafio dos bancos 🪙
Nesta edição
- 🏦 Bancos vão investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia este ano
- ⚡ Fabric ganha GPU no motor de consulta e Spark 4.1
- 🇧🇷 A nuvem da Dataprev já roda 80 petaflops e a IA fica dentro de casa
- 🛡️ Você sabia que o Brasil possui uma Agência de Proteção de Dados?
- 🤔 Se todo mundo está investindo, por que 60% ainda estão engatinhando?
#DataNews 📰
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Bancos vão investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026 🏦
O Febraban Tech aconteceu na semana passada, entre 24 e 26 de agosto em São Paulo, e trouxe os números completos da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, feita com apoio da Deloitte. O setor que mais investe em tecnologia no Brasil deve destinar R$ 50,4 bilhões à área neste ano com alta de 8% sobre 2025 e um crescimento de 58% no orçamento nos últimos cinco anos.
A migração para nuvem deve receber cerca de R$ 3,9 bilhões, uma alta de 30% em um ano. Inteligência artificial, Analytics e Big Data ficam com cerca de R$ 3 bilhões, com alta de 8%. E as prioridades declaradas pelos bancos são bem específicas: eficiência operacional, análise de dados, redução do tempo de resposta ao cliente e detecção de fraude.
Um dado importante citado no evento é o de que 42% dos bancos pretendem ampliar o número de profissionais em áreas de tecnologia e correlatas.
por que isso importa pra você
Repare no que o setor mais rico em tecnologia do país colocou como prioridade: análise de dados, eficiência e detecção de fraude.
Pela sensibilidade e risco dessas operações, nenhuma dessas três coisas acontece sem gente qualificada e preparada para gerir dados, mesmo com parte deste investimento sendo aplicado em IA para otimização de processos repetitivos. Por isso, se qualificar e ser estratégico na carreira é fundamental para perceber os movimentos do mercado e se manter relevante.
O Fabric colocou GPU pra acelerar consulta ⚡
Saiu na semana passada a atualização de agosto do Microsoft Fabric, e ela é mais de bastidor do que de tela, mas resolve algumas dores.
O destaque é o Query Acceleration, em preview: uma tecnologia que usa GPU para acelerar consultas analíticas no Fabric Data Warehouse. A pesquisa por trás, batizada de CoddSpeed, foi publicada no SIGMOD deste ano e levou o prêmio de melhor artigo da indústria. Quando agentes de IA passam a fazer perguntas ao seu warehouse em volume e velocidade de máquina, o gargalo deixa de ser o analista e passa a ser o motor de consulta.
Junto a ele, vieram o Runtime 2.0, que traz Apache Spark 4.1 e Delta Lake 4.2 para o runtime gerenciado, úteis para quem sofre com versão diferente em cada ambiente, e a nova Workspace Relations API, que permite criar e consultar relações entre workspaces via código. Quem monta esteira de CI/CD com branch e workspace de feature ganhou uma peça que faltava.
🛠️ dica
Saiu também a versão de agosto do gateway de dados local (v3000.330), focada em compatibilidade com o Power BI Desktop e em melhorias de segurança e diagnóstico. Atualizar gateway é a tarefa mais fácil de empurrar para depois e a que mais derruba refresh quando o Desktop e o serviço andam para frente sem ele.
E o lembrete que repetimos da edição passada, porque o prazo está chegando: a partir de outubro, versões do Power BI Desktop de março de 2026 ou anteriores perdem o salvamento no OneDrive e no SharePoint.
A nuvem da Dataprev já roda 80 petaflops 🇧🇷
Também no Febraban Tech, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, revelou um número que costuma ficar fora do noticiário: a nuvem da estatal já opera 80 petaflops e segue em expansão para suportar aplicações de inteligência artificial.
O caso concreto que ele citou foi o do crédito consignado, em que a IA foi aplicada para analisar 88 milhões de contratos. E ele foi direto sobre a arquitetura: os modelos de IA precisam rodar dentro da Dataprev, sob controle do Estado, sem trafegar em nuvem pública.
💡 você sabia?
A Dataprev roda mensalmente a segunda maior folha de pagamentos do mundo, atendendo 42 milhões de benefícios. É o tipo de operação em que um erro de modelagem não impacta apenas um gráfico errado na tela, e sim gera erros reais de benefícios não pagos.
Some isso ao pacote de infraestrutura que comentamos na edição passada. O Brasil está tentando trazer processamento pesado para dentro de casa. Escala nacional de dado é um problema de engenharia e alguém precisa resolver.
A ANPD virou agência reguladora e agora vai contratar 🛡️
Você sabia que o Brasil possui uma Agência Nacional de Proteção de Dados? Ela é responsável por zelar pela proteção de dados pessoais e pela privacidade no Brasil. É ela quem fiscaliza o cumprimento da LGPD, edita as normas do setor, recebe denúncias e comunicações de incidente de segurança, e aplica sanção quando alguém erra feio.
Ela existe porque a LGPD, sozinha, seria só um texto. A Lei nº 13.709, de agosto de 2018 que é a própria LGPD, criou a Agência junto com a lei, para que houvesse alguém encarregado de interpretar, orientar e cobrar. Sem uma autoridade, cada empresa decidiria por conta própria o que significa "tratar dado pessoal com segurança", e o cidadão não teria a quem recorrer.
A trajetória institucional dela conta uma história de decisão de Estado:
- 2018 — nasce dentro da LGPD, mas vinculada à Presidência da República e com natureza jurídica explicitamente transitória
- 2020 — ganha estrutura regimental e começa a funcionar de fato
- 2022 — a Lei nº 14.460 a transforma em autarquia de natureza especial, com autonomia administrativa, orçamentária, técnica e decisória
- 2023 — passa a ser vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública
- 2026 — a Lei nº 15.352 a transforma em agência reguladora, inserindo-a no mesmo rol das grandes agências do país
Repare no movimento: em oito anos, a ANPD saiu de um órgão provisório dependente da Presidência para uma agência reguladora com autonomia própria. Cada etapa aumentou a distância entre ela e o poder político de plantão.
E ela tem multado. Recentemente a Agência aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões ao TikTok por falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes, determinou em medida preventiva que o Discord suspendesse transmissões ao vivo no Brasil, e publicou a metodologia de testes do seu sandbox regulatório de IA e proteção de dados — um projeto-piloto para testar tecnologia sob supervisão antes de virar regra.
A mesma Lei nº 15.352/2026 que promoveu a ANPD a agência reguladora criou 200 cargos efetivos para ela e uma carreira própria: Especialista em Regulação de Proteção de Dados.
💡 você sabia?
Até agora a ANPD funcionava basicamente com servidores requisitados de outros órgãos e cargos comissionados. O recado é que o Brasil parou de tratar proteção de dados como projeto e passou a tratar como infraestrutura institucional permanente, alinhada ao Plano Brasileiro de IA (PBIA), como vimos na semana passada com o investimento no supercomputador e nuvem soberana.
Se todo mundo está investindo, por que quase ninguém está pronto? 🤔
Aqui está o dado mais incômodo da pesquisa da Febraban, e ele conversa direto com o valor de R$ 50,4 bilhões lá em cima: cerca de 60% das instituições ainda estão nas fases iniciais de adoção de IA. Testes, provas de conceito, construção de casos de uso. Orçamento grande, mas com maturidade pequena e que naturalmente esbarra em questões regulatórias, legais e de segurança inerentes ao setor.
A leitura de Sérgio Biagini, sócio da Deloitte responsável pelo levantamento, é que a IA generativa já está presente e se expandindo no setor, mas o desafio real é avançar em escala e captura de valor.
Enquanto isso, 100% dos bancos classificaram cibersegurança como prioridade alta ou média, e 71% já olham para computação quântica pensando em criptografia pós-quântica.
É o mesmo padrão que apareceu na nossa edição #90, quando 37 executivos brasileiros concluíram que o gargalo raramente é a tecnologia. Investir é a parte fácil.
E na sua empresa: já saiu do piloto?