Você percebeu que Power BI e Business Intelligence são ótimas oportunidades para se destacar no mercado, começou a estudar, fez sua primeira entrega e o resultado não foi tão impactante quanto esperava.
A pergunta então aparece quase automaticamente: “onde foi que eu errei?”
Essa é uma dúvida muito comum. Na maioria dos casos, o problema não está em “não saber fazer gráfico”, mas em ainda não dominar a lógica completa de uma entrega de BI.
Neste artigo, vamos explorar os erros mais comuns de iniciantes no Power BI e mostrar por que muitos relatórios falham não por falta de ferramenta, mas por falta de método.
Erros comuns de iniciantes no Power BI
Antes de nos aprofundarmos, recomendamos fortemente que você já tenha uma noção de design, modelagem de dados e principalmente do que é Business Intelligence. Muitos dos conceitos abordados aqui, já foram abordados anteriormente através destes artigos.
UI x UX: Com certeza você já ouviu falar destes termos
O que é Power BI e como ele funciona (Guia Completo)
Agora, que você leu ou já tem base suficiente, vamos enumerar os principais erros de iniciantes do no Power BI:
1. Começar pelo visual antes de entender o problema
Um dos erros mais frequentes e mais sérios, é abrir o Power BI e já começar a criar gráficos sem entender antes: qual a real necessidade do projeto, quem é seu público alvo e qual decisão o dashboard deve apoiar. Sem isso, o projeto vira uma coleção de gráficos sem direção. Um dashboard bom não começa no Figma ou no canvas; começa na pergunta certa.
O resultado sem essas questões pode até ser um dashboard visualmente atraente, mas será que ele terá impacto e resolverá os problemas necessários?
Para um melhor resultado, e um dashboard que não vá cair em desuso, busque sempre alinhar as expectativas do projeto com a entrega. Por isto é tão importante realizar uma reunião estratégica com quem está solicitando.
2. Não tratar os dados antes de modelar
Além de jogar apenas os visuais sem estratégia, muitos iniciantes carregam os dados diretamente no Power BI e começam a construir medidas sem antes realizar tratamento dos dados, seja por ETL ou ELT.
Quando isso acontece, inconsistências da base acabam sendo empurradas para as próximas etapas.
A não padronização e limpeza de dados inconsistentes acarreta em medidas fora do cenário real que o dashboard deveria estar. Essa dessincronização prejudica totalmente a modelagem e as métricas exibidas no seu dashboard, podendo custar sua carreira tomando decisões erradas entre os gestores do negócio.
Antes de modelar, é preciso garantir que os dados estejam coerentes com a realidade do negócio.
Tratamento de dados não é etapa opcional; é a fundação do projeto.
3. Ignorar modelagem de dados
Outro erro clássico é trabalhar com tabelas soltas ou mal relacionadas. Um problema puxa o outro, se não há padronização na etapa de tratamento, as medidas serão mal elaboradas e consequentemente o modelo será uma bagunça.
Quando os relacionamentos são criados sem critério, a cardinalidade fica incorreta, os filtros se comportam de forma inesperada e o relatório começa a depender de ajustes improvisados. O relatório vira um conjunto de “gambiarras” propício a erros, tomadas de decisões equivocadas, desperdício de tempo, de recursos e provavelmente da sua reputação.
Mais do que criar relacionamentos, é importante estruturar o modelo com tabelas fato e dimensão bem definidas. No Power BI, essa lógica se aproxima do esquema estrela, amplamente reconhecido como uma forma de melhorar performance e usabilidade do modelo.
Leia também: Cardinalidade de Relacionamentos: Entenda de uma vez o que isto significa
4. Criar medidas quando deveria criar colunas (e vice-versa)
Esse erro é clássico porque parece pequeno, mas afeta resultado, performance e manutenção.
Não vamos estender este assunto aqui, já que não é foco deste artigo.
Em suma: Coluna calculada costuma fazer mais sentido quando você precisa de um valor linha a linha, armazenado no modelo. Medida costuma fazer mais sentido quando o resultado precisa responder dinamicamente ao contexto de filtros do relatório.
Confundir estes dois conceitos gera cálculos incorretos e resultados inesperados, além de acarretar em problemas de performance principalmente em modelos maiores com milhares de linhas.
5. Exagerar na quantidade de visuais
De nada adianta um tratamento de dados e uma modelagem bem feita se na hora de apresentar seu dashboard você não sabe apresentar, UI de Power BI é quase uma aula de oratória, você tem de saber transmitir exatamente as informações desejadas no escopo do projeto.
Enfeitar demais com muitos gráficos não torna o relatório melhor (na maioria dos casos), isso pode deixá-lo cada vez mais confuso, difícil de visualizar o que realmente se deseja além do desenvolvedor se perder com tantas informações para dar manutenção, isto pode desencadear indicadores duplicados e várias tabelas na mesma página.
Busque sempre o equilíbrio entre visuais de forma que não impacte negativamente os resultados esperados, não é para ser escasso, mas também não se deve deixar lacunas mal resolvidas.
6. Não pensar na experiência do usuário (UX)
Se nos tópicos anteriores falamos de UI (Visuais e Design), devemos lembrar que UX também acarreta em um dashboard cair em desuso ou não.
Problemas como filtros mal posicionados, hierarquia visual confusa, funcionalidades jogadas sem explicação e páginas sem fluxo lógico confundem o usuário em termos de navegabilidade. O usuário até pode encontrar a resposta, mas com esforço demais, e isso reduz adoção.
Um projeto profissional também precisa considerar acessibilidade.
O Power BI possui recursos ligados a navegação por teclado, compatibilidade com leitor de tela, alto contraste, texto alternativo e ordem de tabulação, e parte disso depende da configuração do autor do relatório
Dashboard bom não enrola, ele é navegável e se explica sozinho.
7. Não organizar medidas e tabelas
Iniciante costuma olhar apenas para a página do relatório. Profissionais também olham para o bastidor do modelo.
Mesmo que a modelagem e o tratamento estejam corretos, as medidas devem estar organizadas. Por isto ensinamos como criar uma pasta de medidas neste artigo:
Medidas espalhadas, nomenclaturas inconsistentes, tabelas com nomes técnicos demais e ausência de padrão tornam a manutenção mais difícil do que deveria ser.
Isso piora quando o projeto cresce ou precisa ser assumido por outra pessoa.
Busque sempre:
- Criar uma tabela exclusiva para medidas.
- Padronize a nomenclatura de tabelas fato e dimensão. Exemplo: dClientes/d_Clientes, fVendas/f_Vendas são boas práticas de nomes.
- Evitar nomes ambíguos
- Organizar o modelo para leitura humana, seja nas medidas, nomes de tabelas, códigos em M. Lembre-se que outros seres humanos vão acessar seu relatório, não somente robôs.
Projeto organizado economiza tempo, reduz erro e transmite maturidade. Essas boas práticas auxiliam na organização do modelo que vai muito além de uma modelagem bem feita.
8. Ignorar performance do relatório
Outro problema grave de UX dentro do Power BI com iniciantes são os relatórios lentos por conta de medidas mal escritas, excesso de visuais, tabelas muito grandes e cálculos desnecessários.
Além de potencial da máquina, temos o termo de performance dentro do próprio BI com o motor VertiPaq responsável pelo processamento de informações.
Performance também importa e faz parte da qualidade do projeto.
O Power BI oferece o Performance Analyzer, que mostra o tempo de carregamento de cada visual e ajuda a identificar gargalos de consulta e renderização. Relatório lento não se corrige no chute.
9. Não validar os números com o negócio
Outro erro grave é confiar apenas no resultado do Power BI sem conferir com as áreas responsáveis.
Nenhuma ferramenta substitui validação com as áreas responsáveis.
Mesmo quando o relatório parece tecnicamente correto, pode haver problemas em regras de negócio, filtros, transformação de dados ou relacionamentos. É dever do analista conferir os resultados não estejam extrapolantes e muito fora da realidade das regras de negócio. Ferramenta nenhuma vai fazer isto sozinha e substituir a validação com o negócio.
O bom analista não pergunta só “o cálculo funcionou?”.
Ele também pergunta: “esse número faz sentido para quem vive essa operação todos os dias?”
Isto pode ocorrer por erro em medidas DAX, de modelagem nos relacionamentos ou até mesmo na etapa inicial de transformação de dados. Lembre-se Power BI é uma cadeia de informações.
10. Não pensar na publicação
Muitos iniciantes acreditam que o trabalho termina quando o relatório fica pronto no Power BI Desktop, mas a entrega real só acontece quando esse conteúdo é publicado, atualizado e disponibilizado corretamente para as pessoas certas. Pensar em publicação significa definir o workspace adequado, organizar papéis e acessos e garantir que cada usuário tenha o nível correto de permissão dentro do ambiente.
Também faz parte dessa etapa configurar a atualização agendada, revisar credenciais e, quando necessário, conectar o gateway corretamente para que os dados continuem confiáveis no Power BI Service.
Sem esse cuidado, o analista pode até entregar um dashboard visualmente pronto, mas na prática ele vira um relatório desatualizado, mal distribuído ou inacessível para quem realmente precisa usar. BI não é só construir relatório, é garantir consumo confiável no ambiente real.
11. Não acompanhar uso pós-publicação
Outro erro comum é imaginar que publicar o relatório encerra o projeto. Na verdade, um dashboard profissional precisa ser acompanhado depois da entrega para entender se está sendo usado, por quem, com que frequência e se realmente está ajudando na tomada de decisão.
O Power BI oferece relatórios de métricas de uso que permitem acompanhar, por exemplo, visualizações por dia, usuários únicos, formas de acesso e até indicadores de desempenho do consumo do relatório. A Microsoft informa que esses relatórios consideram uma janela de 90 dias e são atualizados diariamente, o que ajuda a transformar percepção em evidência sobre adoção real.
Esse acompanhamento é o que permite descobrir se o relatório virou rotina de consulta ou se caiu no esquecimento, além de revelar páginas pouco acessadas, gargalos de navegação e oportunidades de melhoria. Isso é o que diferencia uma entrega pontual de um produto analítico de verdade.
12. Achar que Power BI é só arrastar gráfico
Depois de tudo isso, fica claro que Power BI está longe de ser apenas uma ferramenta visual.
Power BI é uma ferramenta de responsabilidade e entendimento de várias áreas do negócio.
- Entendimento de negócio
- Tratamento de dados
- Modelagem
- DAX
- Design de informação
- Experiência do usuário
- Performance
- Validação
- Boas práticas de design
- Governança de dados
Por isto os profissionais que o fazem de forma exímia são tão bem valorizados no mercado de trabalho pois além de resultados, entregam valor.
Qual o próximo passo?
Esses são os erros mais comuns que acontecem no início de toda trilha de um analista. A diferença entre um usuário comum e um profissional de dados é aprender a evitá-los o mais cedo possível.
Se você quer evoluir no Power BI, pare de medir seu progresso pelo número de gráficos que consegue montar. Comece a medir pela qualidade das decisões que seu relatório ajuda a tomar. É isso que transforma iniciante em profissional.
Agora que você já entendeu que Power BI não é algo individual mas a soma de vários fatores, pense em nossa comunidade como um dos fatores que irão somar na sua carreira. Vamos além de Power BI, aqui você será um expert em linguagem SQL e Python essenciais em tratamento de dados, Inteligência Artificial, ferramentas de design dentre outros vários aprendizados.
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