DevDay, agentes 24 horas e a IA que virou 'SI' nos EUA 🇺🇸
Nesta edição
- 🤖 Os novos agentes da OpenAI que trabalham 24 horas
- 🔒 O modelo que a própria OpenAI 'engavetou'
- ✍️ É só 'pedir' que a IA faz? Sim e não
- 📽️ Vídeo: As mudanças no Claude em 12 minutos
- 🏛️ Seis CEOs, uma assinatura e a 'Super Inteligência'
- 🛒 Bancos travam as compras feitas por IA
- 💡 Dica da Semana: três frases antes de ligar um agente
Os Dots chegaram: agentes que trabalham enquanto você dorme 🤖
A OpenAI fez o DevDay 2026 na terça (29) e trouxe um pacote de novidades, sendo o principal deles o anúncio dos Dots, os novos agentes que ficam ligados o tempo todo na nuvem, continuam trabalhando depois que a conversa acaba e têm computador e navegador próprios na nuvem. Cada um se conecta a mais de 4 mil aplicativos e pode ser acionado pelo ChatGPT, pelo Slack, pelo Teams ou por chamada de voz. Eles estão disponíveis nos planos Pro e Business Premium. A gente trouxe um resumão de tudo o que rolou para você lá no Instagram.
Funcionários sob supervisão
Quase como funcionários, os Dots podem trabalhar por conta própria, com identidade própria, acesso a permissões, computador na nuvem e navegador próprio. Você continua no comando e pode abrir o computador dele para conferir se está tudo certo, e ainda pode recrutá-lo para te ajudar no seu trabalho em uma tarefa no seu computador.
Junto veio o ChatGPT Space, uma área compartilhada onde o time humano, o ChatGPT e os Dots trabalham nos mesmos documentos, com as chamadas Pages, onde pessoa e agente editam lado a lado.
E teve ainda o GPT-6.1 Sol, modelo "quase-Astra", focado em código e trabalho profissional por um quinto do preço. O novo Sol está disponível na API, no Work e no Codex, mas ainda não foi lançado para o chat comum.
Falando em Codex, a ferramenta ganhou também novos recursos para executar trabalhos na nuvem, para revisar código e para permitir comandos por voz.
Ufa! "Só" isso.
Depois das novidades lançadas pela Anthropic com o Opus 5.5, a OpenAI também lançou seu pacote de novos recursos, que por sua vez fez o Google se movimentar com um novo modelo (falaremos em breve).
...A corrida da IA muda a cada mês, até o próximo modelo. Dá até cansaço e vontade de desistir, né? Mas como não ficar ansioso e perdido com tudo isso? Bem, você não precisa saber tudo sobre o novo modelo que lançou ontem. Essas novidades a gente traz para você nos nossos canais. O que você precisa é saber como cada ferramenta de IA pode te ajudar no seu trabalho HOJE, com a sua experiência e conhecimento, com o seu contexto e necessidades, para entregar mais e melhor.
A boa notícia é que aqui na etek a gente te guia para chegar lá. Conheça nossas trilhas e opções de cursos sobre IA e muito mais, organizadas em focos de conhecimento para te fazer ganhar tempo e não cansar nessa corrida 🏃➡️
A OpenAI engavetou o próprio modelo (e travou o IPO) 🔒
Na véspera do DevDay aconteceu o que ninguém esperava: a OpenAI cancelou o lançamento do GPT-6.1 Astra, que estava previsto para outubro. Segundo o Wall Street Journal, o modelo foi pior que o antecessor em dois testes internos de alinhamento e honestidade, e passou dos limites de autorização que a própria empresa tinha definido. Saachi Jain, chefe de sistemas de segurança, resumiu que segurança e alinhamento sempre envolvem um trade-off. Não há nova data.
E não parou aí. No dia seguinte, no DevDay, Sam Altman condicionou o IPO da empresa, a estreia na bolsa, a conseguir afirmar com confiança que os modelos se comportam como deveriam. Sem métrica definida e sem prazo. A CFO Sarah Friar completou que a companhia não quer se distrair com a bolsa enquanto trabalha em segurança.
Pode parecer notícia ruim, mas repare no tamanho disso: uma empresa avaliada em centenas de bilhões segurou o produto e segurou o dinheiro no mesmo dia, por conta própria, antes de qualquer regulador mandar.
IAgora, o que isso significa?
Será que isso é maturidade do setor ou é o primeiro sinal de que a corrida bateu num teto? 🤔
✍️ É só 'pedir' que a IA faz? Sim e não
A semana inteira gira em torno da mesma palavra: delegar. Mas pedir como?
De um lado, a OpenAI entrega agentes que trabalham sozinhos e se conectam a quatro mil ferramentas. Do outro, a mesma OpenAI descobre que o modelo seguinte faz coisas que ninguém autorizou e o coloca em stand-by. Os dois fatos não se contradizem. Eles são a mesma história contada pelas duas pontas: quanto mais a IA age no seu lugar, mais cara fica cada tarefa que você delegou sem definir o limite.
E aqui vai o ponto que incomoda no discurso do mercado. Virou moda falar que "agora é só pedir e a IA faz". Não é.
Delegar bem é uma habilidade que provém da experiência e do conhecimento de quem pede, e é exatamente a mesma habilidade de quem gerencia gente. Você não entrega uma tarefa para alguém do time dizendo só "ei, resolve aí". Você diz o que é sucesso, o que está fora de escopo, quanto pode gastar, quando quer ser avisado, o que precisa autorizar, e avalia os dados para saber se está de acordo com a estratégia. Sem isso, você pode delegar para um hipotético ChatGPT 7.0 do futuro (brincadeira, ele nem existe, mas um dia pode chegar), que não terá resultados se não houver consciência e estratégia ao pedir.
Essa semana, antes de ligar qualquer agente, escreva três linhas: o que ele pode fazer, o que ele não pode fazer de jeito nenhum, e em que momento ele precisa parar e te perguntar. Leva cinco minutos. E é a diferença entre um agente que economiza seu dia e um que cria um problema que você só descobre depois.
🎥 As mudanças no Claude que facilitam sua vida

"O novo CLAUDE mudou tudo: Docs, Design e Slides no chat"
Falando em delegar: enquanto o mercado discute agentes, uma mudança bem mais imediata passou quase batida. O Claude deixou de só conversar e passou a entregar o arquivo pronto, com documento, design e apresentação feitos dentro do próprio chat.
Na prática, aquele caminho de sempre (pedir o texto para a IA, copiar, abrir o PowerPoint, formatar, ajustar, repetir) deixa de existir. Você descreve o que precisa e sai de lá com a coisa montada, pronta para editar e compartilhar.
A Karine gravou um vídeo de 12 minutos mostrando como isso funciona na prática, com os erros e os limites, incluindo onde ainda vale mais a pena fazer na mão.
Bora lá pro YouTube?
💡 Dica: assista com o Claude aberto numa aba e vá testando junto.
Seis CEOs, uma assinatura e zero multas 🏛️

Na última terça-feira (29), na Casa Branca, Trump reuniu os chefes das maiores empresas de IA do mundo e saiu com um documento de duas páginas: o White House Accord on Super Intelligence. Assinaram Sundar Pichai (Google), Dario Amodei (Anthropic), Mark Zuckerberg (Meta), Greg Brockman (OpenAI), Elon Musk (xAI) e Jensen Huang (Nvidia).
O texto estabelece quatro camadas de controle: revisão interna de risco, auditores externos, avaliadores independentes e supervisão no nível dos conselhos de administração. O detalhe é que nada ali é obrigatório. Trump chamou o acordo de "moralmente vinculante" e descartou novas regras federais. Para comparar: o AI Act europeu é lei, com multa para quem descumprir.
Agora é 'Super Inteligência'
Especialistas discutem se já estamos na era da AGI ou não e divergem sobre isso (para o Sam Altman, já estamos), especula-se quando uma "super" inteligência vai chegar, numa discussão que parece de filme. Dizem que, quando começamos a chamar algo por um novo nome, muda o nível de exigência e do esforço até aquilo se tornar real.
Uma ordem executiva do mesmo dia manda os órgãos do governo americano trocarem "Artificial Intelligence" e "AI" por "Super Intelligence" e "SI" em todos os documentos, sites e comunicações oficiais. Pode ser uma estratégia de posicionamento global dos EUA na corrida da IA. Se nos próximos meses você vir "SI" em relatório do governo dos EUA, agora já sabe de onde veio. Independentemente da discussão técnica se a SI chegou ou não, pode ser questão de tempo, e é melhor se familiarizar com o termo, não é?
Os bancos puxaram o freio das compras feitas por IA 🛒
No dia 22, seis bancos de quatro países, NatWest (Reino Unido), ING (Holanda), Commonwealth Bank (Austrália), ASB (Nova Zelândia), Bank of America e Capital One (EUA), publicaram juntos um documento chamado Building Trust in Agentic Commerce, listando o que pode dar errado quando um agente de IA escolhe o produto e paga no seu lugar.
A lista é bem concreta: mais golpes e fraudes, disputas de cobrança sem dono claro, vazamento de dados sensíveis e gastos acima do teto que o cliente imaginou. Os bancos querem que toda transação feita por agente seja identificada como tal. A varejista britânica John Lewis viu as buscas originadas por agentes saírem de 0,3% para 2,5% em um ano, e a Amazon bloqueou o assistente Muse, da Meta, de comprar na loja.
Agora o dado que interessa pra gente: uma pesquisa da Visa com 4 mil consumidores em quatro países mostrou que 76% dos brasileiros toparam deixar um agente de IA fazer compras por eles, contra 44% dos americanos. Somos, de novo, o mercado mais disposto a entregar a chave. E nenhum banco brasileiro assinou aquele documento. 👀
💡 Dica da Semana IAgora
Antes de soltar qualquer agente (Dots, Claude, Gemini, Copilot), cole isso no começo do pedido:
"Limite: até X. Nunca faça Y sem me perguntar. Me mostre o plano antes de executar."
Três frases que podem realmente separar o que é delegar de simplesmente apostar na sorte.
Pra fechar, três linhas 📌
- A AMD passou de US$ 1 trilhão de valor de mercado, puxada pela demanda por capacidade computacional de IA. O dinheiro grande segue na infraestrutura, não no chatbot.
- A Microsoft anunciou um Copilot com cara de "colega de trabalho digital", entrando na mesma briga dos Dots.
- O Papa Leão XIV alertou que a IA pode criar um "paraíso de máquinas". A discussão saiu do setor de tecnologia faz tempo.