A IA que pode se instalar sozinha na sua TV · IAgora? #42

A IA que pode se instalar sozinha na sua TV

A Anthropic testou em 15 aparelhos

A IA que pode se instalar sozinha na sua TV

Você não abre mais a IA. Ela já está ligada 📺

Nesta edição

  • 🎬 Vídeo: sua planilha pode virar um vídeo executivo
  • 🔍 O Gemini 4 Argon chegou na busca do Google
  • 📺 A IA que pode se copiar sozinha na sua TV
  • 🏠 A Apple colocou uma tela com IA na sua cozinha
  • 🤯 Você sabia? O tamanho real de uma botnet de TV box
  • 🎭 92% dos empregadores já flagraram má conduta
  • 📊 As empresas lucram com IA e não sabem explicá-la
  • ✍️ A IA virou ambiente

🎬 Sua planilha pode virar um vídeo executivo

"MANUS 2.0: seu próximo treinamento pode VIRAR um vídeo ou jogo com IA"

A Karine gravou um vídeo testando o novo Manus 2.0, e ele resolve um problema bem concreto de quem precisa explicar as coisas dentro da empresa.

Sabe aquela planilha enorme que precisa virar uma apresentação para a diretoria, aquela que consome horas (ou dias) que você não tem? No vídeo você aprende a criar uma apresentação interativa e profissional de alto nível, com vídeo em HD, narração em português e linha do tempo editável. Está imperdível!

E mais: será que dá para criar um jogo com o Manus 2.0? E editar vídeo, dá?

Então vem assistir ao vídeo completo para aprender:

ASSISTIR AO VÍDEO ▶️

O Gemini 4 Argon saiu do anúncio e entrou na busca 🔍

Na terça-feira (13), o Google liberou o Gemini 4 Argon, o seu novo modelo que ele chama de fronteira, anunciado no fim de setembro, para quem assina os planos AI Pro e AI Ultra, tanto no aplicativo Gemini quanto no Modo IA da Busca. Antes disso, só quem tinha o plano Ultra conseguia usar o modelo no app.

O que a empresa promete

Segundo o Google, o Argon raciocina melhor em tarefas complexas, responde de forma mais direta, repete menos clichê e segue instruções de estilo com mais consistência. Tarefas longas também passam a dar notícia do andamento com mais frequência, em vez de sumirem por minutos.

Os exemplos que eles mostraram são internos e bem concretos. No Chrome, o modelo ajudou a separar o processamento de páginas de uma pasta antiga de cerca de 6 milhões de linhas, dentro de uma base de 40 milhões. Uma refatoração estimada em meses foi concluída em semanas. No YouTube, o uso de processamento da área de comentários caiu pela metade depois que o modelo descobriu que a renderização repetida de emojis respondia por quase 45% da sobrecarga do servidor.

O Google também afirma superar GPT-6 Astra, Claude Fable 5.1 e Claude Opus 5.5 em categorias diferentes, mas não publicou as pontuações.

Na API, o preço promocional vai até 30 de novembro: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 de saída. Depois, dobra para US$ 4 e US$ 20.

E aí, já testou esse novo modelo do Gemini?

A IA que cabe numa TV box de US$ 55 📺

No dia 12, a equipe de segurança ofensiva da Anthropic (a Frontier Red Team) publicou uma pesquisa que faz uma afirmação ousada: modelos pequenos de IA podem estar a meses de conseguir se copiar sozinhos para aparelhos conectados do dia a dia. Forno inteligente, TV box genérica, esse tipo de coisa.

O que eles realmente fizeram

Compraram 15 TV boxes Android genéricos, de cerca de US$ 55 cada, ligaram tudo numa rede local e rodaram um modelo de 26 bilhões de parâmetros fatiado entre os aparelhos. Funcionou devagar, a 0,39 token por segundo, mas funcionou. Num outro teste, um modelo de 9 bilhões de parâmetros conseguiu se instalar e rodar em 8 dos 9 tipos de aparelho testados.

O que ainda não funciona

Modelos de até 30 bilhões de parâmetros acertam os passos isolados da replicação, mas erram quando precisam encadear tudo sozinhos. Só um modelo maior completou o ciclo inteiro, e num ambiente simplificado, com as portas de rede deixadas abertas de propósito. A própria Anthropic classifica o resultado como um teto, não como um retrato do mundo real, e diz não ter visto nada parecido acontecendo de verdade.

IAgora, o que isso significa?

Diferente de um vírus comum, uma IA que se replica pode se adaptar a um aparelho que nunca viu antes e inventar um jeito novo de entrar. E a defesa, nesse cenário, sai das mãos das big techs e cai no colo de quem fabrica TV box e de quem opera internet.

A Apple botou uma tela com IA na sua cozinha 🏠

Também na terça (13), a Apple anunciou o HomeView, a primeira categoria de produto nova da empresa em bastante tempo. São duas versões, as duas a US$ 299: uma de bancada, inclinável e com alto-falante de graves na base, e outra para fixar na parede.

O que é, na prática

Uma tela sensível ao toque de 7 polegadas que funciona como central da casa conectada, com câmera de FaceTime, comando de voz e apps nativos como Calendário e Clima. Mas o aparelho não foi feito para ser uma tela: foi feito para ser a vitrine da nova Siri com IA, rodando num chip A18.

O HomeView reconhece quem está na frente dele, por rosto e por voz, e muda a interface e os apps conforme a pessoa. Se você se afastar, a tela bloqueia sozinha. Tem modo de receita que formata a página no aparelho, com a Siri ajudando nos ingredientes e nos timers. Junto, a Apple apresentou uma linha de acessórios feita com LG e Schneider Electric: câmeras, campainha, fechadura e termostatos, entre US$ 199 e US$ 349.

E o Brasil?

Ficou de fora da largada. O HomeView chega em 13 de novembro a oito mercados de língua inglesa: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Cingapura e África do Sul.

A União Europeia também ficou de fora. A explicação oficial da Apple é que a nova Siri com IA ainda não está disponível no iOS na região, e a empresa diz estar "trabalhando construtivamente com a UE" para encontrar um caminho, sem prazo. Ou seja: a regulação europeia de IA já está decidindo quais aparelhos entram em quais casas.

IAgora, o que isso significa?

Uma tela na cozinha que sabe quem chegou, pelo rosto e pela voz, é a tentativa de trazer a IA para o cotidiano da casa.

🤯 Você sabia? O tamanho real de uma botnet de TV box

A maior botnet já vista nesses aparelhos baratos infectou mais de 2 milhões de TV boxes. Somados, todos eles teriam mais ou menos o poder de processamento de 40 placas de vídeo profissionais, o que uma empresa média de IA usa num cantinho do data center.

Ou seja: o risco desse tipo de ameaça nunca foi potência. É quantidade, teimosia e o fato de ninguém saber onde desligar.

92% dos empregadores já flagraram alguém trapaceando 🎭

Uma pesquisa do Institute of Student Employers, divulgada pelo The Guardian nesta quarta (14), mostra que 92% dos empregadores britânicos de programas de trainee suspeitaram ou confirmaram alguma má conduta de candidatos neste ano. Eram 85% no ano passado e 78% dois anos atrás.

E a forma mais comum de má conduta agora tem nome: uso não declarado de IA durante a entrevista. Dois terços dos entrevistados (66%) relataram pelo menos um caso, e 47% pegaram candidatos usando IA para resolver testes online.

Como eles percebem

Chris Morrow, que comanda uma agência de recrutamento em Manchester, descreveu os sinais: o candidato trava esperando a resposta aparecer, se apoia em frases de enrolação do tipo "essa é uma ótima pergunta" e passa a falar num inglês formal demais para uma conversa. "É como se estivessem lendo um teleprompter", resumiu. Na agência dele, quando percebem, encerram a entrevista.

A resposta das empresas não foi proibir e pronto: 82% já publicam regras explicando o que pode e o que não pode. Além disso, estão personalizando perguntas, colocando tempo limite e sorteando questões para dificultar a cola.

A fronteira ficou clara, e ela é útil para você: usar IA para se preparar, pesquisar a empresa, treinar respostas, ajustar o currículo, é esperado e bem visto. Usar IA para responder no seu lugar é outra coisa. O chefe do instituto resumiu o risco de um jeito que não é moral, é prático: quem se vende como outra pessoa pode acabar num cargo que não dá conta de fazer.

IAgora, o que isso significa?

A sua empresa já escreveu em algum lugar o que é permitido e o que não é no uso de IA em processo seletivo? Você já participou de uma seleção com esses critérios? 📝

A IA já dá lucro. Explicar o que ela decidiu é que não dá 📊

A FICO divulgou nesta quarta (14), durante o seu fórum em São Paulo, os números do estudo State of Responsible AI 2026, feito com a Corinium junto a 1.004 líderes seniores de tecnologia, dados e risco em sete setores. E o contraste é a notícia.

De um lado, 85,1% dizem que a IA atingiu ou superou as expectativas de retorno financeiro. Do outro, 71,5% das decisões que afetam diretamente o cliente ainda são tomadas sem nenhuma IA envolvida. E só 5,2% se declaram muito confiantes em explicar uma decisão tomada por IA para um cliente ou para um regulador.

Nos agentes de IA, aquele assunto que domina toda conversa de corredor, o número é ainda menor: apenas 2,4% das organizações dizem ter implantado agentes de forma ampla em casos que tocam o cliente. As duas maiores travas citadas foram segurança (40,1%) e integração ou qualidade de dados (38,3%).

Repare no que esses números juntos contam. As empresas estão ganhando dinheiro com IA justamente onde ela não decide nada sozinha: produtividade, apoio e bastidor. Na hora de deixar a IA decidir algo que tem consequência para alguém de carne e osso, a conta trava não na tecnologia, mas na capacidade de justificar.

IAgora, o que isso significa?

O teste de uma pergunta só: se um cliente seu ligar amanhã e perguntar "por que eu recebi esse resultado?", existe alguém na sua empresa que consegue responder sem dizer "o sistema decidiu"? 💬

✍️ A IA virou ambiente

Um modelo novo, um experimento de laboratório, um aparelho de cozinha, uma pesquisa de RH e um estudo de governança. Repare onde cada uma dessas coisas acontece.

O Gemini 4 Argon não chegou num site que você decide visitar, ele trocou de motor dentro da busca que você já usava. A tela da Apple não espera você abrir um aplicativo: ela olha para você quando você entra na cozinha e muda sozinha. O modelo da pesquisa da Anthropic não precisa que ninguém o instale: ele se instalaria num aparelho que você nem lembra que está ligado. O candidato não levou a IA para a entrevista: ela estava fora do enquadramento da câmera. E a decisão sobre um cliente não foi tomada numa reunião: saiu de um sistema que ninguém sabe reconstruir.

Durante três anos a gente aprendeu a usar IA como um lugar: você abria uma aba, digitava, copiava o resultado e fechava. Agora a IA virou um ambiente. Ela está no motor da busca, na tela da parede, no roteador, na sala de entrevista, no sistema que decide. Não existe mais um momento claro de "agora estou usando IA" e, sem esse momento, também some a chance natural de parar e conferir.

Isso não é necessariamente ruim. Ambiente é exatamente o que uma tecnologia madura vira: ninguém diz "vou usar eletricidade". Mas a gente aprendeu a conviver com eletricidade porque criou disjuntor, tomada com padrão, aterramento e medidor. Coisas visíveis, que mostram o que está acontecendo e permitem desligar.

Para esta semana: anote onde a IA está sendo usada, reteste o que mudou de modelo, declare quando ela participou, guarde o registro de como a decisão saiu e escreva a regra antes do caso difícil aparecer.

IAgora, se a IA virou ambiente, onde fica o disjuntor? 😉

Karine Lago
Escrito por
Karine Lago

Fundadora da Etek, premiada 11 vezes pela Microsoft e especialista em Dados pela UFMG. Ensina Power BI, Excel e Inteligência Artificial para mais de 540 mil pessoas no YouTube.

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